* Pesquisa realizada como aluna do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal da Bahia, com financiamento da CAPES, pelo Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior, e da Fapesb, pelo Programa de Bolsa de Doutorado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

INSTITUTO NACIONAL DE JOVENS SURDOS DE PARIS: UM POUCO DE HISTÓRIA

O Instituto Nacional de Jovens Surdos de Paris, INJS, fundado em 1791, é a mais antiga escola pública e laica para surdos do mundo. A escola funciona nas mesmas instalações desde 1794, um lindo e amplo edifício com um enorme jardim. O instituto é fruto do trabalho do abade Charles-Michel de l'Epée, conhecido como Abbé de l’Epée (1712-1789).

Entre os séculos XVI e XVIII a educação de surdos no ocidente era restrita aos filhos de famílias ricas e tinha como principal objetivo ensinar-lhes a falar. Conta-se que, em 1760, o Abbé de l’Epée conheceu duas irmãs surdas que se comunicavam por meio de sinais e, desde então, passou a se dedicar ao desenvolvimento de uma pedagogia de ensino da linguagem (gestual e escrita), por meio de sinais.

Para combater a ideia corrente de que os surdos tinham uma inteligência limitada e um acesso restrito à linguagem, o Abbé de l’Epée organizava apresentações em que as pessoas podiam fazer perguntas aos surdos, sobre assuntos diversos, para comprovar seus conhecimentos. Com essas reuniões, o abade conseguia apoio para sua causa: a educação dos surdos de todas as condições sociais. O INJS foi fundado dois anos após sua morte e seu primeiro diretor foi Sicard, formado instrutor de surdos pelo Abeé de l’Epée e fundador do Instituto de Surdos de Bordeaux. Os alunos e professores do INJS influenciaram a educação de surdos em todo o mundo.

Em 1817, Laurent Clerc, aluno do instituto, ajudou Thomas Gallaudet na fundação do American Asylum for the Deaf, em Hartford, nos Estados Unidos, a primeira escola para surdos daquele país. Esta instituição certamente influenciou a criação, em 1864, da Gallaudet University, primeira e, por muito tempo, única instituição de ensino superior para surdos. Seu primeiro diretor foi Edward Gallaudet, filho de Thomas Gallaudet e Sophia Fowler Gallaudet. Sophia nasceu surda e, com ela, Edward Gallaudet aprendeu a língua de sinais como primeira língua. Ela teve um papel importante na consolidação da educação de surdos nos Estados Unidos.

No Brasil, em 1857, o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos foi fundado, no Rio de janeiro, com ajuda de Edouard Huet, educador surdo francês também ligado ao INJS e que há alguns anos fundara na cidade o Collégio Nacional para Surdos-Mudos. Em 1957, o Instituto teve seu nome alterado para Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), como é chamado até os dias de hoje. Por essa mesma razão, é possível reconhecer a forte semelhança entre a Língua de Sinais Francesa (LSF) e a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), ainda que, ao longo dos quase dois séculos que nos separam da vinda de Huet para o Brasil, essas duas línguas tenham sofrido transformações e influências diversas.

O Instituto Nacional de Jovens Surdos de Paris, em francês Institut National de Jeunes Sourds, preserva seu lugar de patrimônio histórico dos surdos, mas não ficou parado no tempo. Seu desafio atual é adaptar-se às transformações da educação de surdos, com novas demandas e novas tecnologias. O INJS é aberto para visitas, mediante agendamento, e o acervo da sua biblioteca histórica está disponível para consulta.

Fonte: Arquivo pessoal.





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